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Declaração de Política de Investimento: definição e a sua importância

2021.9.10 Vítor Ribeiro, CFA

IPS é um acrónimo que significa Investment Policy Statement. Trata-se de uma declaração de política de investimento, um guia estratégico de como investir dinheiro, de como programar e implementar um plano de investimento. 

O propósito é ajudar os investidores a tomar melhores decisões de investimento para atingirem os seus objetivos, o que implica ter em consideração uma grande variedade de prioridades e preocupações, para além do desempenho da carteira de investimento.

Para definir uma estratégia de investimento há todo um trabalho prévio de conhecimento e personalização num contexto global que se materializa no Plano Financeiro.

Estamos habituados a analisar uma declaração de política de investimento no contexto de um ETF, de um fundo de investimento ou de um PPR. Normalmente associamos esta necessidade de planear e sistematizar uma estratégia e um guia de investimento, apenas aos investidores profissionais, investidores com elevado património (HNWI) ou investidores institucionais, como fundações, bancos, fundos de pensões, entre outros.

Mas não é assim. Cada investidor deve ter a sua IPS. 

Definir metas torna os investidores menos propensos a reagir às variações de mercado. Acreditamos que se estamos a trabalhar em direção a uma meta ou objetivo, e não na busca de retornos para bater o mercado ou um benchmark, a tomada de decisões emocionais e precipitada reduz-se substancialmente.

A declaração de política de investimento é também o documento que vai guiar todo o processo de consultoria e a relação entre o investidor e os intermediários financeiros. E neste contexto podemos estabelecer um conjunto de políticas e diretrizes essenciais. No fundo, a IPS revela aquilo que deve esperar do seu financial advisor:

  • Demonstrar conhecer os objetivos financeiros e as características do investidor;
  • Manter sempre uma abordagem sistemática e consistente no aconselhamento; 
  • Cumprir com as expectativas do investidor no que se refere ao plano de investimento. Comunicar com regularidade e de maneira efetiva e tendo em consideração o que o investidor espera;
  • Garantir benefícios para ambas as partes. Um investidor satisfeito ajuda a uma melhor prática por parte do advisor;
  • Reconhecer que o aconselhamento financeiro não pode ter um formato standard e que deve responder as características únicas de cada pessoa, família ou organização.

 

QUE ELEMENTOS DEVEM FAZER PARTE DE UMA IPS?

A IPS não é um documento fechado. Trata-se de uma declaração de princípio, única, um documento totalmente personalizado e orientado para as preferências, atitudes e situações de cada investidor. Podemos seguir um guião ou uma minuta, mas devemos privilegiar aquilo que são os objetivos, restrições, tolerâncias e preferências do investidor para que o documento seja verdadeiramente útil.

Assim, numa abordagem generalista, o documento pode conter as seguintes partes:

  • Âmbito e propósito
  • Identificação dos responsáveis no processo
  • Objetivos de investimento, de rentabilidade e de risco 
  • Gestão de risco

 

  • Âmbito e propósito

Nesta secção descreve-se o investidor. Informação útil, como a situação pessoal e profissional, as fontes e dimensão do património, se é um investidor individual, família ou uma organização/empresa. 

Também é neste momento que se define quais os ativos que vão ser geridos e alvo de aconselhamento por via desta IPS. Na verdade, o investidor pode ter mais do que uma IPS até porque muitas vezes os objetivos de investimento são múltiplos.

Faz ainda parte do âmbito e propósito definir a estrutura e os diferentes intervenientes no processo de gestão dos ativos.

No caso da estrutura devemos ter em consideração os limites à discricionariedade da gestão do património, se há um mandato ou não. O próprio investidor pode querer ter poder de decisão e até a última palavra na decisão de investimento, ao mesmo tempo que se definem as regras da receção e transmissão de ordens ou o âmbito da consultoria para investimento.

Em relação aos diferentes atores envolvidos na gestão, o investidor pode definir a estrutura da gestão de risco, quem vai ter a responsabilidade de monitorizar e fazer o reporting e até quem vai auxiliá-lo na elaboração da IPS.

 

  • Atribuição de responsabilidades

O processo de investimento passa essencialmente por três fases: planeamento, execução e monitorização. 

Nesta parte da IPS, são atribuídas as responsabilidades a quem vai desenvolver a estratégia e plano de investimento, quem são as entidades que vão executar a estratégia e depois quem fica responsável por monitorizar os resultados e a implementação da IPS.

É também aqui que se definem as regras para atualizar e rever a IPS.

 

  • Objetivos de investimento, de rentabilidade e de risco

Definir metas torna os investidores menos propensos a reagir às variações de mercado. Se estivermos a trabalhar em direção a uma meta ou objetivo, e não na busca de retornos para bater o mercado ou um benchmark, a tomada de decisões emocionais e precipitada reduz-se substancialmente.

Por isso, a especificação dos objetivos de investimento, do retorno necessário e desejado e do risco, deve ser feita com cuidado.

Os objetivos devem estar relacionados com as necessidades financeiras futuras, quer ao nível de gastos, quer ao nível da distribuição ou doação de ativos.

A IPS deve também descrever a tolerância ao risco do investidor. 

Para investidores individuais, avaliar a tolerância ao risco pode ser difícil e subjetiva. A problemático dos erros e vieses do investidor, bem como da capacidade e vontade em assumir risco devem ser bem avaliados.

Por fim, devem ser descritas as principais preferências, restrições e constrangimentos que podem afetar o investidor e o seu programa de investimento. Desde logo o horizonte temporal de investimento, as necessidades de liquidez, as considerações ao nível dos impostos e legais, bem como as situações únicas e restrições ao nível do investimento (em determinados ativos, moedas, regiões ou instrumentos, por exemplo).  

Nesta secção deve ficar bem espelhada a filosofia de investimento não só ao nível estratégico, mas também ao nível tático.

 

  • Gestão de risco

A política de gestão de risco refere-se ao estabelecimento de medidas de performance e de reporting. Devem ser definidas as medidas de risco e de avaliação da performance apropriadas à estratégia de investimento a implementar.

O processo de rebalanceamento é também descrito nesta secção, definindo os níveis de desvio face ao alvo definido e a periodicidade desse rebalanceamento. 

 

COMPROMISSO DA IPS

Tornar o património de cada investidor à prova de futuro é a razão de ser da IPS. Perceber o nosso comportamento enquanto investidores, as razões para investir, separar o ruído da informação e perceber o funcionamento da indústria financeira são razões mais do que suficientes para definir já hoje a sua Declaração de Política de Investimento.

 

Vítor Ribeiro, CFA
Vítor Ribeiro, CFA

Vítor é um CFA® Charterholder, empreendedor, melómano e com um sonho de construir um verdadeiro ecossistema de investimento e planeamento financeiro ao serviço das famílias e organizações.

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