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Retornos e tempo – uma relação de longo prazo

12.04.2020 Luís Silva

Decidi continuar com a análise ao investimento e às crises de um ponto de vista temporal. Com este post a ideia é complementar o que já escrevi no anterior artigo, "O dia em que se quis vender tudo".

Pretendo introduzir na análise o conceito de retornos rolantes. Neste caso em particular, retornos rolantes a 10 anos. Normalmente pensamos nos retornos como algo estático, quanto se ganhou nos últimos 3, 5 ou 10 anos. Agora imaginem uma linha contínua onde esses resultados são continuamente acrescentados dando origem a um gráfico de rentabilidade em determinados períodos de tempo.

Passo a exemplificar visualmente - afinal uma imagem vale por 1000 palavras. Utilizei o S&P 500, tal como no anterior artigo, mas com um horizonte temporal superior, desde início de 1984 até ao presente dia. Porquê 10 anos antes? Porque para saber o retorno a 10 anos em 1994-01-01 o investidor teria de ter investido inicialmente em 1984-01-01.

O gráfico de retornos rolantes a 10 anos é:

Nota: Os gráficos deste artigo, se vistos no PC, são interactivos. Podem fazer zoom se pretenderem. Basta clicar e arrastar o rato (mantendo o click)

Como esperado, os primeiros 10 anos não tem retornos pois, como referido acima, apenas em 1994 temos os retornos a 10 anos de quem investiu em 1984. Analisar os retornos desta forma dá origem a observações interessantes. Podemos ver em 1997 o impacto positivo nos retornos a 10 anos quando o crash de 1987 saiu da "janela" dos 10 anos. Os retornos deram um salto dos 11.9% para os 16% em apenas 4 sessões. Ou podemos ver algo semelhante entre Outubro de 2017 e Março de 2019, porque 10 anos antes tinha sido a Grande Recessão.

Mas qual o interesse em mostrar os retornos a 10 anos e o que é que isso tem a ver com a crise actual? No artigo anterior afirmei que em termos de dados para os investimentos de longo prazo esta crise tem tido um impacto (até agora) bastante menos pronunciado, e isso pode ver-se neste gráfico de retornos de forma perfeita, por duas razões distintas.

Primeiro, e o que salta logo à vista, é que o retorno a 10 anos parece estar num ponto no meio do gráfico, não parece demasiado baixo, nem demasiado alto. Está até ligeiramente acima dos valores de meados da década passada. Nada mau para uma crise que teve a entrada em bear market mais rápida de sempre.

Em segundo lugar podemos ver que entre Outubro de 2008 e Fevereiro de 2011 o retorno a 10 anos do S&P 500 foi SEMPRE negativo. Conseguem imaginar-se em finais de 2008 com os vossos investimentos com retornos negativos passados 10 anos e ainda ver o mercado a fazer novos mínimos em Fevereiro/Março de 2009?

É neste segundo ponto que me pretendo focar, e a diferença entre esse e a situação actual. Todos sabemos que a queda foi forte e rápida. Podemos ver essa queda nas rentabilidades a 10 anos, tendo as mesmas descido de 12.1% para 6.7% em cerca de 1 mês. Não sabemos se as quedas vão continuar, apenas podemos e devemos tomar decisões com os dados que temos e a realidade que vivemos. E a verdade é que actualmente estamos, em termos de rentabilidade de longo prazo, bastante melhores do que na altura da Grande Recessão de 2008.

GitHub: Retornos e tempo – uma relação de longo prazo 

Luís Silva

Licenciado em economia (2006) e pós-graduado em Finanças pela Universidade Católica do Porto (2010) acompanha os mercados financeiros desde os 16 anos. Mais tarde apercebeu-se que partilhava o mesmo entusiasmo pela programação.

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