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The Loser’s Game

13.09.2020 Luís Silva

Acabei um artigo recente a afirmar que não fazer nada diminui a probabilidade de errarmos. Porque é tão importante não errarmos? Não sou a primeira pessoa a dizer isso. Warren Buffet diz que a primeira regra do investimento é não perder dinheiro e Charlie Ellis, no seu livro “Winning the loser’s game” (Entrevista), compara o investidor comum a um jogador de ténis amador. O importante no ténis a este nível é não cometer erros pois somos os nossos principais inimigos. O vencedor muitas vezes acaba por ser não quem ganhou mais pontos, mas sim quem perdeu menos, transformando assim o ténis entre amadores num jogo de perdedores - um jogo que se ganha evitando erros em vez de complexas jogadas vencedoras.

No investimento é a mesma coisa. Penso que o objetivo principal é cometermos a menor quantidade de erros e obter a máxima rentabilidade que o mercado nos oferece. Obtermos o retorno do mercado é o primeiro passo que deveremos tomar como investidores.

Devemos inicialmente focar-nos em não cometer erros. Devemos evitar decisões avulsas como vender em pânico ou comprar mais apenas porque o mercado está a subir, alterando o nosso plano de investimento. A nossa constante preocupação com o curto prazo leva-nos muitas vezes a cometer esses mesmos erros. Um estudo da Fidelity descobriu que quanto menos vezes um cliente vir o saldo da sua conta maior tenderia a ser a sua rentabilidade (Investing: So Easy A Dead Person Can Do It).

A procura de Alfa (retorno extra acima do mercado) quando uma grande quantidade de investidores não consegue obter o Beta/retorno de mercado (The Behavioral Gap - resumo/apresentação ) é como tentar correr antes de aprender a andar.

Quando olhamos para o passado e vemos situações como a crise Europeia e o impacto que teve nas obrigações do Tesouro,  a queda de mais de 30% das bolsas Chinesas em 3 meses no Verão de 2015, quedas do S&P de quase 20% em 3 meses no Inverno de 2018, parece-nos “óbvio” que seriam bons pontos de entrada (hindsight bias). Quando se está a passar por essas alturas existe um pânico e medo generalizados que torna muito complicado tomar decisões e apenas os mais corajosos e/ou pessoas com bons planos de investimento as conseguiram aproveitar, seja através de reforços pontuais ou rebalanceamentos.

Um estudo da Fidelity descobriu que quanto menos vezes um cliente vir o saldo da sua conta maior tenderia a ser a sua rentabilidade.

Estou convencido que uma criação sustentável de alfa e que para a maioria dos investidores seria mais produtivo obter a rentabilidade de mercado e focar-se nos aspectos dos investimentos que podem gerir, como o risco, ajustando o tipo de investimento ao seu verdadeiro perfil e objectivos.

Esse é o nosso foco na Future Proof. Acreditamos que também somos gestores de risco, adaptando e personalizando o risco a cada investidor. Vemos os retornos e o risco apenas como forma dos investidores atingirem os seus objetivos de vida (Goal-Based Investing).

Definir metas torna os investidores menos propensos a reagir às variações de mercado. Acreditamos que se estamos a trabalhar em direção a uma meta ou objetivo, e não na busca de retornos para bater o mercado ou um benchmark, a tomada de decisões emocionais e precipitada reduz-se substancialmente.

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Luís Silva

Licenciado em economia (2006) e pós-graduado em Finanças pela Universidade Católica do Porto (2010) acompanha os mercados financeiros desde os 16 anos. Mais tarde apercebeu-se que partilhava o mesmo entusiasmo pela programação.

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