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Investimentos e inflação

31.08.2020 Luís Silva

Há uns dias estive a trocar mensagens com um potencial investidor. Fico sempre feliz quando alguém discute um plano de poupança de 20 a 30 anos, tendo já uma ideia do tipo de risco que está disposto a tomar, os activos financeiros que está a pensar usar e com uma ideia de seguir reforços anuais.

A maior dúvida do potencial investidor era se devia começar com vários pequenos investimentos ou investir as poupanças que tem todas de uma vez. Com a recuperação do mercado acionista a dúvida faz, de uma forma geral, sentido e há inúmeros estudos sobre isso, sejam da Vanguard (1) ou de bloggers (2).

Contudo apercebi-me que faltava algo. Um plano de investimento de tão longo prazo deverá incluir a inflação nos cálculos, algo que não estava a ser feito. Num período de tempo tão longo a inflação pode ser algo extremamente relevante. Planeamos reformar-nos milionários, mas depois apercebemo-nos que daqui a 30 anos o poder de compra de um milionário é pouco mais de metade do poder de compra de um milionário actual, assumindo inflação de 2% ao ano, o target do BCE.

Devo lembrar que este objetivo de 2% por parte dos bancos centrais é por sua vez algo relativamente recente, tendo apenas começado a ser adoptado por vários bancos centrais no início dos anos 90 (3) (4) (5) e formalmente pela FED apenas em 2012 (6). Ninguém nos diz que os bancos centrais não irão alterar esses objetivos sendo inflação de 4% (3) ou outras formas de política monetária bastante discutidas (7) que poderão levar a inflação acima de 2%.

Um plano de investimento de [...] longo prazo deverá incluir a inflação nos cálculos.

Aumentar os reforços em linha com a inflação é algo fundamental para atingirmos os nossos objectivos de poder de compra a longo prazo. Podemos não só aumentar em linha com a inflação, mas também com um potencial aumento do rendimento do capital humano e melhoria de situação profissional.

Deixo aqui um gráfico da perda de poder de compra ao longo de 50 anos para uma inflação de 2% que, como disse acima, não é necessariamente o que acontecerá pois não sabemos se se vai manter a política monetária vigente de vários bancos centrais a nível mundial. Principalmente no caso da FED e do BCE, sendo que no seu mais recente discurso o Governador da FED afirmou que estavam dispostos a tolerar inflação acima de 2% se achassem que isso seria bom para a economia, nomeadamente em termos de emprego (8).


Referências:

Artigos de interesse:

Gold vs 10 year real rates

Love over gold

O ouro é aquele tipo de ativo que não gera indiferença, tem qualquer coisa de alucinante. É a moeda oficiosa do mundo. É o grande ativo de refúgio e reserva de valor. É aceite e valorizado. Tem múltiplas aplicabilidades. E tem uma relação de amor e ódio com os seus admiradores. É milenar!

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Luís Silva

Licenciado em economia (2006) e pós-graduado em Finanças pela Universidade Católica do Porto (2010) acompanha os mercados financeiros desde os 16 anos. Mais tarde apercebeu-se que partilhava o mesmo entusiasmo pela programação.

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