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Growth Trap – a economia invisível

21.10.2020 Vítor Mário Ribeiro, CFA

Este artigo publicado na Bloomberg aborda o tema dos ativos intangíveis e de como estes estão a dominar a nova economia em contraponto com a economia das empresas tradicionais, mais pesadas, com um balanço repleto de ativos físicos.

Segundo o artigo, estima-se que cerca de 75% do valor do S&P 500 deriva de ativos intangíveis.

As grandes empresas da atualidade dependem menos dos ativos tangíveis e dos recursos humanos e mais de conceitos como marca, utilizadores, fórmulas, algoritmos, softwares, propriedade intelectual.

Este modelo torna as empresas mais leves e flexíveis, mais abertas ao mundo (escaláveis), mas também mais instáveis do ponto de vista contabilístico. Por exemplo, quando analisamos o balanço e o valor contabilístico da empresa e o seu valor de mercado, verificamos enormes discrepâncias. São empresas com ativos invisíveis, que não estão nos seus balanços, mas dos quais se esperam que venham a gerar elevados rendimentos futuros.

Durante a crise financeira de 2008, questionava-se as operações fora de balanço que impactavam a indústria financeira, nomeadamente nos bancos. Agora, questiona-se a dimensão das empresas tecnológicas ou relacionadas, onde os ativos tangíveis pouco valem quando comparados com o valor de mercado da empresa.

Há uma correlação entre ativos invisíveis ou intangíveis e a capitalização de mercado dessas empresas.

Basta ver a preponderância de algumas empresas nos respetivos índices. Por exemplo, no S&P500, Apple, Microsoft, Amazon.com, Alphabet e Facebook, valem hoje cerca de 23% do índice e perto de metade do Nasdaq100 (fonte bloomberg).

A concentração não acontece apenas nos índices americanos e não é um tema novo. O Luís Silva abordou-o num artigo do blog da Future Proof e na mais recente edição da revista FundsPeople é analisado o tema dos índices hiperconcentrados.

Os ativos invisíveis e a hiperconcentração dos índices colocam em causa o conceito de diversificação, principalmente em índices mais pequenos onde a concentração do TOP 10 das empresas é bem superior a 50%. A própria gestão passiva pode estar a tornar-se demasiado ativa e sujeita ao risco específico como qualquer estratégia ativa.

Também a volatilidade poderá ganhar outros contornos. As empresas com grandes diferenças entre valor contabilístico e valor de mercado, ou seja, com ativos invisíveis, são mais difíceis de avaliar e menos previsíveis.

Sabemos que muitas destas empresas fazem muito dinheiro e geram resultados positivos crescentes de forma consistente. Mas outras, talvez a maioria, não fazem assim tanto dinheiro e não geram resultados positivos.

Estaremos a entrar numa era do Growth trap por oposição ao Value trap?

A pandemia acelerou a evolução do modelo da economia invisível. Mas a velocidade dessa evolução não foi a mesma para áreas como a contabilidade e a fiscalidade. E isto pode colocar em causa o bom funcionamento do mercado no futuro.

A armadilha do crescimento é um termo usado por Jeremy J. Siegel no livro The Future For Investors. É a ilusão dos investidores com empresas sobrevalorizadas em indústrias altamente competitivas onde o produto, muitas vezes, somos nós. A ilusão de investir em empresas com múltiplos de mercado tão altos que representam oportunidades “incríveis” de sucesso no longo prazo e que os investidores não podem perder!

A revolução digital, acompanhada pela revolução verde, está aí. Mas não podemos deixar que a emoção nos guie no mercado.

Esta é a armadilha. Uma ilusão do futuro que era brilhante.

Nota: podia ter optado por colocar a canção dos Xutos & Pontapés, Futuro que era brilhante, mas o título deste artigo leva-me sempre a Goldfrapp. Não consigo evitar!

Por alguma razão, os últimos versos desta canção são:

"Frankenstein would want your mind

Your lovely head"

 

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Vítor Mário Ribeiro, CFA

Vítor é um CFA® charterholder, empreendedor, melómano e com um sonho de construir um verdadeiro ecossistema de investimento e planeamento financeiro ao serviço das famílias e organizações.

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