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Finanças comportamentais 101 - Percepção de risco

17.11.2020 Luís Silva

Considere esta aposta. Caras ganha 25 euros, coroa perde 20 euros. Aceitaria? E se estivesse a ganhar 100 euros no decorrer das apostas? Desistiria, “fechando” assim os ganhos? Continuaria porque está numa “maré de sorte”? E se estivesse a perder esses 100 euros? Alteraria a sua visão sobre uma nova aposta? Aceitaria uma aposta de dobro ou nada para tentar recuperar as perdas?

Nem o risco nem o retorno das apostas são alterados pela situação actual do apostador. É, contudo, praticamente impossível que essa situação não tenha impacto emocional e influencie as nossas decisões futuras pois altera o nosso estado emocional e percepção de risco e retorno.

Esta alteração pode ser vista em vários comportamentos dos investidores. Frequentemente deparamo-nos com investidores que estão dispostos a aceitar mais risco se estiverem numa situação de ganhos seja porque estão a “jogar com dinheiro do casino” ou simplesmente porque esses ganhos funcionam como uma “almofada”, tornando-se mais difícil perdas potenciais atingirem o capital inicialmente investido.

Outra situação que podemos observar ocasionalmente é o investidor que fica “agarrado” a posições perdedoras.

O que pretendo transmitir é que a aversão ao risco não é uma constante ao longo do tempo. Para o mesmo investidor ela poderá alterar-se consoante os ganhos (ou perdas) do passado recente, levando-o a aceitar mais (ou menos) risco sem que nada, excepto o estado emocional/psicológico do investidor, se tenha alterado.

O passado recente tem tendencialmente um impacto maior que o passado distante no estado emocional de um investidor, mas situações emocionalmente marcantes tem também essa influência, independentemente de serem num passado distante.

O impacto que 1929 teve numa geração de investidores foi bastante significativo e mais recentemente a crise de 2008 tornou bastantes investidores mais cautelosos e até desconfiados dos mercados de capitais, não usufruindo dos fenomenais retornos do mercado accionista nos últimos 10/11 anos.

Penso, e sem querer repetir-me em vários artigos, que a melhor forma de evitar este tipo de enviesamento e decisões emocionais é o planeamento e a criação de cenários hipotéticos e possíveis durante o nosso período de investimento.

O que vai fazer da próxima vez que o mercado accionista cair 30%?

 

Tem uma opinião que queira discurtir sobre este artigo? Pode fazê-lo no linked-in.

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Luís Silva

Licenciado em economia (2006) e pós-graduado em Finanças pela Universidade Católica do Porto (2010) acompanha os mercados financeiros desde os 16 anos. Mais tarde apercebeu-se que partilhava o mesmo entusiasmo pela programação.

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