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A futilidade de tentar adivinhar o futuro!

03.06.2020 Luís Silva

O ano ainda nem vai a meio e já tivemos a entrada mais rápida em bear market do Dow Jones, um dos mais conhecidos e antigos índices americanos, assim como números inimagináveis de desemprego em tempo record e danos económicos devastadores.

Como se isto não fosse suficiente, e em simultâneo, temos visto violentos protestos e tumultos sociais nos EUA com demostrações noutras cidades do mundo - tendo até o presidente dos EUA chegado a ser temporariamente transportado para o bunker presidencial da Casa Branca.

Mas o que tem vindo, entretanto, a suceder no mercado accionista? Depois de uma violenta queda de quase 35% em cerca de 3 semanas, o S&P recuperou já três quartos da queda estando a subir perto de 14% a 12 meses e o MSCI World (do ponto de vista do investidor europeu, sem proteção câmbial) cerca de 7.5% no mesmo período.

Imaginemos que alguém há um ano vos dizia como o mundo e a economia estariam hoje. Teriam apostado na subida do mercado accionista?

Esta constante obsessão por tentar adivinhar o futuro não só é uma distração como leva os investidores a ter uma menor performance. Quase vos ouço a dizer: “mas não estou na média, sou melhor investidor, sigo sempre as notícias e estou em cima do acontecimento”. Contudo, vários estudos ao longo dos anos têm-nos demostrado que a maioria das pessoas pensam que são mais inteligentes que a média (“On a scale of one to 10, you probably think you're a seven. And you wouldn't be alone.”) Diria que a maioria dos investidores sendo, por definição, mediano acha que é melhor que a média.

Admito que emocionalmente sou um investidor “péssimo”. Tenho sempre vontade de vender quando as coisas estão a cair e vontade de reforçar quando está tudo a subir e a correr bem. Quem não sente isso? Devido a estes sentimentos (que, reforço, são normais, sejamos nós investidores amadores ou profissionais) entro num enorme conflito emoção vs razão quando há uma queda forte como a que se verificou este ano.

Queria com isto transmitir-vos que para ganhar dinheiro nos mercados não é necessário “andar em cima das notícias”, tentar prever o futuro do mercado acionista ou ser uma pessoa emocionalmente muito resiliente. E a idea que temos de o ser é apenas uma ilusão. Não sou e nem faço nenhum dos três. O que aprendi com a experiência e anos a seguir os mercados accionistas é que os sentimentos não são bons conselheiros no que diz respeito a tomar decisões sobre investimentos e devemos seguir o nosso plano.

Por esta razão, um dos focos da Future Proof é a IPS, Investment Policy Statement, onde este plano de investimento de médio-longo prazo é delineado quando estamos com a cabeça fria e emocionalmente calmos. As crises virão sempre. Não será com certeza a última vez que os mercados caem 30 ou 40% a uma velocidade vertiginosa.

Uma boa política de investimento, ajudada com uma análise comportamental e autorreflexão de como agiríamos em períodos de fortes quedas são essenciais, na minha opinião, para atingirmos os nossos objetivos a médio e longo prazo através dos mercados. Diria que o primeiro passo para ter sucesso nos mercados é conhecermo-nos a nós próprios, assim como os nossos enviesamentos e limitações.

Luís Silva,

Future Proof

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Luís Silva

Licenciado em economia (2006) e pós-graduado em Finanças pela Universidade Católica do Porto (2010) acompanha os mercados financeiros desde os 16 anos. Mais tarde apercebeu-se que partilhava o mesmo entusiasmo pela programação.

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